Indústria 4.0: o que é e o que está a fazer pelas empresas?

por Nídia Ferreira | 19 Fevereiro, 2019 em
Tecnologia

Até os menos versados em assuntos de tecnologia já devem, em determinado momento, ter tropeçado no conceito Indústria 4.0 ou então num outro equivalente, a quarta revolução industrial, que por estes dias andam na boca do mundo.


E também é provável que a expressão “revolução industrial”, lembre mais facilmente as aulas de História do ensino básico, do que propriamente um tema muito hi-tech. Mas a verdade é que, a Indústria 4.0, é um bocado de ambos: uma revolução tecnológica que promete transformar profundamente a forma como vivemos e trabalhamos, a uma escala e velocidade nunca antes vistas.


Talvez por isso valha a pena percebermos que era é esta em que as fronteiras entre mundo físico e digital se estão definitivamente a dissipar e por que é tão diferente de todas as outras que a antecederam.


Como chegamos até à quarta revolução industrial?


A quarta revolução industrial, mais conhecida por Indústria 4.0, foi precedida de três outras grandes revoluções.


O surgimento da máquina a vapor nos finais do século XVIII, marcou o início da primeira, que tornou possível a mecanização dos métodos de produção, com profundas alterações no tecido social e económico da época.


A segunda, por volta de 1850, trouxe a energia elétrica e consigo a invenção da linha de montagem e da produção em massa. Já em meados do século XX, com a chegada do computador, das tecnologias de informação e mais tarde da internet, assistimos à automatização da produção e ao início da terceira revolução, mais conhecida por revolução digital.


Porém, ao contrário das que lhe precederam, a quarta revolução industrial resulta da convergência de tecnologias já existentes e não do surgimento de uma nova. É a forma como essas tecnologias interagem em diferentes domínios, a velocidade exponencial a que evoluem, e a dimensão do impacto que geram na sociedade, empresas e indústrias, que distingue esta nova era de tudo aquilo que a humanidade já tenha vivido antes.


Que tecnologias estão a impulsionar a Indústria 4.0?


Se a Indústria 4.0 não resulta apenas de uma tecnologia, mas da combinação de várias, a melhor forma de a compreendermos é olhando para o conjunto de inovações que a estão a impulsionar. Entre estas incluem-se:

 

  • Inteligência artificial e o machine learning: a inteligência artificial (IA) refere-se à ciência que trata de mimetizar as capacidades humanas, enquanto que o machine learning é um ramo específico da IA que treina os sistemas a aprenderem. Em conjunto permitem o reconhecimento de padrões complexos, o processamento de informação e a possibilidade de retirar conclusões ou fazer recomendações com base em grandes quantidades de dados.

  • Robótica: refere-se à conceção e utilização de robôs para uso pessoal ou industrial. A evolução tecnológica tem tornado os robôs cada vez mais complexos e sofisticados, mas ao mesmo tempo mais baratos e acessíveis a empresas de todos os tamanhos. Hoje são já utilizados em áreas tão variadas quanto a indústria, a logística, o retalho ou a saúde. Na Amazon, milhares de robôs Kiva gerem todos os dias as operações logísticas, o que permitiu à gigante do retalho aumentar em 50% a capacidade dos seus armazéns e obter ganhos de eficiência operacional na ordem dos 20%.

  • Internet das coisas (IoT, na sigla inglesa) e a nuvem: estes são dois elementos fundamentais da Indústria 4.0, uma vez que permitem não só que os vários dispositivos— desde smartphones a eletrodomésticos ou máquinas industriais— estejam conectados e comuniquem entre si, mas também que a informação seja armazenada de forma acessível e segura.

  • Tecnologias imersivas: a realidade virtual proporciona uma experiência imersiva mais completa criando uma simulação do mundo real, ao passo que a realidade aumentada sobrepõe elementos digitais ao mundo físico. Alguns exemplos da aplicação destas tecnologias incluem a utilização de realidade virtual no treino de astronautas da NASA ou a aplicação para telemóvel da IKEA que, com recurso à realidade aumentada, permite aos utilizadores ver como a mobília vai ficar nas suas casas mesmo antes de a comprarem.

  • Impressão 3D: permite a criação de objetos físicos tridimensionais a partir de ficheiros digitais. Inicialmente era utilizada sobretudo para a conceção de protótipos, mas hoje já é possível produzir bens de consumo ou para uso industrial, recorrendo inteiramente à impressão 3D, como, por exemplo, peças para equipamentos fabris ou próteses. Esta tecnologia permite não só a redução de custos e uma maior rapidez quando comparada com os métodos tradicionais de produção, mas também a criação de modelos completamente customizados.


O que a Indústria 4.0 significa para os negócios


Quando bem implementadas, as tecnologias da Indústria 4.0 podem trazer vários benefícios a um negócio, entre os quais destacamos:


Constante monitorização dos processos


Graças à internet das coisas, fabricantes, retalhistas e prestadores de serviços podem agora recolher dados dos consumidores a partir dos seus dispositivos “constantemente ligados”. Reunindo e interligando dados de diversas fontes (do email e redes sociais, ao CRM) as empresas conseguem avaliar de forma mais eficaz a utilização que os consumidores fazem dos seus produtos e serviços e estruturar as suas campanhas de marketing em função disso.


Na indústria, a aplicação de sensores nas várias etapas de produção, possibilita um fluxo de informação constante acerca das operações em curso. Isto permite aos gestores monitorizar os níveis de produção e performance, bem como tomar decisões fundamentadas e em tempo real. Já na agricultura, a colocação de sensores no solo ajuda, por exemplo, a determinar qual o momento ideal para a fertilização.


Maior produtividade e redução de custos


A utilização de sensores na indústria permite levar a cabo uma manutenção preditiva, prevenindo a ocorrência de falhas ou avarias. Isto não só evita paragens indesejadas na produção como aumenta a produtividade das empresas e diminui os custos. Além disso, a utilização de máquinas inteligentes que vão “aprendendo” com os dados, promove um uso mais eficiente dos recursos energéticos e das matérias-primas, elimina erros e falhas na composição dos artigos, reduz o desperdício e diminui os prazos de produção.


A implementação de sistemas e ferramentas dotados de inteligência artificial, nas mais diversas áreas de negócio, permite ainda automatizar tarefas demoradas e repetitivas, libertando os colaboradores para se dedicarem a funções de maior valor agregado. Desta forma o trabalho das equipas torna-se mais ágil e a produtividade das empresas aumenta.


Otimização da experiência do consumidor


Poder recolher dados sobre quase tudo (e todos) é um dos elementos cruciais da Indústria 4.0. Numa fábrica, através de sistemas avançados de machine learning e analytics é possível utilizar a informação produzida em tempo real para prever a procura, ajustar a produção, se for caso disso, e assegurar níveis de inventário ideais para satisfazer todas as encomendas, sem atrasos para os clientes.


Também os retalhistas podem recorrer a modelos análise preditiva para prever os comportamentos dos consumidores, adequar as suas mensagens e ofertas, planear as suas vendas com antecedência e ajustar os preços em função da procura e da concorrência.


Para o consumidor, a Indústria 4.0 significa mais escolhas, melhores produtos e serviços, bem como experiências superiores, que possam ir ao encontro das suas crescentes expectativas.


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